RESENHA: ABBATH [24/05/2017 – BAR DA MONTANHA – LIMEIRA/SP]

A abertura das portas do Bar da Montanha ocorreu por volta das 19hs e o público foi chegando calmamente, pois, muitos possivelmente já conferiram o Amon Amarth em outra oportunidade, porém, o Abbath era uma novidade mesmo para os fãs do Immortal ( ex-banda de Olve Eikemo, o Abbath Doom Oculta fundador do Abbath ).

Programado para começar às 20hs, o quarteto de Black Metal Abbath subiu no palco por volta das 20:25hs de forma que a maioria dos fãs já estivesse dentro das dependências do Bar da Montanha prontos para conferirem o show comandado por Abbath na guitarra e vocais, Ole André Farstad na guitarra, King ov Hell no baixo e ‘Creature’ Gabe Seeber na bateria, todos trajados com roupas de couro pretas, camisas escuras, rostos pintados de preto e branco, braceletes com pontas, enfim, de acordo com o figurino de uma banda de Black Metal.

E os noruegueses da cidade de Bergen entram o palco em meio à melodia mais épica da introdução Roman March/ Conan: The Barbarian para nos expor ao seu dilacerante Black Metal presente em To War!, canção própria de seu primeiro álbum de estúdio autointitulado e lançado em 2015, onde deu para sentir que além de seu peso esquartejador, muito por conta do baterista ‘Creature’ Gabe Seeber, a sua orientação é mais Heavy Metal. Abbath Doom Oculta por sua vez vocaliza com aquela fúria incontrolável e com a postura agressiva que o estilo clama, e lógico, despertando nos presentes vários ‘bangues’ e vários braços ao alto, que naturalmente ficaram empolgados com a apresentação do quarteto.

Sem pensar em respirar, eles continuam com a devastadora Ashes Of The Damned, que entra extremamente rápida com o baixista King ov Hell ( ou Tom Cato Visnes ), que já tocou no Gorgoroth não parando quieto por um momento sequer indo para a frente do palco e voltando para trás em uma atuação insana em meio aos vocais urrados de Abbath Doom Oculta.

Depois, hora de um Black Metal mais cadenciado com Warriors, uma das canções registradas cd Between Two Worlds de 2006 do projeto I ( que contou com Armagedda do Immortal na bateria, Arve Isdal do Enslaved na guitarra, King ov Hell no baixo, Abbath Doom Oculta nos vocais e Demonaz criando as letras ), onde os toques de baixo devidamente ligados nas fortes pancadas na bateria contagiaram facilmente aos presentes no Bar da Montanha, que de certa forma ficaram enfeitiçados com suas vocalizações encorpadas de um norueguês que entre um solo de guitarra e outro aproveita para ‘banguear’ na intensidade que o som contém.

Ainda relembrando do Immortal, o Abbath toca na sequencia a Nebular Ravens Winter ( do Blizzard Beasts de 1997 ), que chega matadora e consideravelmente pesada, passando aquela ideia que uma avalanche está desabando sobre nós e o vocalista fazendo um movimento com seu pescoço que faz seus cabelos girarem na hora dos solos de guitarras.

Solarfall ( do At Heart Of Winter de 1999 do Immortal ) é a seguinte do set do Abbath e seu ritmo mais cadenciado é exponencialmente mortífero, que provavelmente só não abriu uma roda no Bar da Montanha por conta dos espaços estarem ocupados, mas que deu vontade, não tenha dúvidas caro leitor(a), que deu… A única exceção ao clima proposto foi apenas sentida nos seus dedilhados muito bem acompanhados pelo baterista ‘Creature’ Gabe Seeber e cabe aqui mais um comentário: impressionante como as linhas instrumentais bastante técnicas foram executadas com com muita habilidade por cada membro do Abbath.

Após uma ligeira pausa para respirar e para Abbath Doom Oculta saudar os fãs, a infernal Fenrir Hunts, outra das canções do Abbath foi tocada disparando seu máximo peso em nossos ouvidos devido a ferocidade contida em seus vocais levando a maioria do público a ‘banguear’ bastante, pois, a banda não tem medo em nos mandar notas cada vez mais poderosas a cada minuto deste show.

Logo depois temos mais uma do Immortal com Tyrants ( do Sons Of Northern Darkness de 2002 ) para continuar com a performance frenética do Abbath, e mesmo com suas linhas cadenciadas, o alucinado baixista não para de agitar se mexendo o tempo todo ( aliás, fotografá-lo não era uma tarefa fácil… ) e em uma programada parada Abbath Doom Oculta olha para os fãs, literalmente encara eles fazendo cara de mal, mexe os braços e ante a muita fumaça faz caras e bocas para que então executasse os solos melodiosos e sinistros da canção junto a Ole André Farstad, que resultam em um momento de fúria instrumental imensa e um convite para se mexer o pescoço no ritmo proposto pela banda.

Abbath Doom Oculta toma um gole de uma cerveja, mesmo estando no outono, nesta noite de quarta feira estava calor, e assim, hora da estranguladora Winterbane, mais uma das novas canções do Abbath exibida no Bar da Montanha, que por ser o primeiro clipe divulgado do seu primeiro cd, os fãs agitaram bastante em retribuição e puderam sentir suas passagens atmosféricas durante seus dedilhados, que trouxeram uma nova onda mais cadenciada e devidamente sombria.

Novamente, o baterista ‘Creature’ Gabe Seeber dispara uma sequencia de pancadas em seu kit deixando claro sua categoria para a que a versão de One By One do Immortal ( presente também no álbum Sons Of Northern Darkness ) fosse executada passando aquela impressão que um rolo compressor está vindo para a pista do Bar da Montanha, sendo esta muito aguardada pelos fãs de sua ex-banda.

A parte final do show do Abbath contou com a explosiva, acelerada e macabra Count The Dead como um Black Metal deve ser e depois encerrou com a All Shall Fall, que é título do cd de 2009 do Immortal e é significativamente obscura, veloz e arruinadora, fulminando uma apresentação que não será esquecida tão facilmente por seus seguidores. A estreia do Abbath em Limeira aconteceu em um show de aproximadamente uma hora e deixou satisfeitas as hordas presentes no Bar da Montanha, que naturalmente já estarão aguardando um retorno futuro e quem sabe até como headliner.

Set list show do Abbath

Intro Roman March – Conan: The Barbarian
1 – To War!
2 – Ashes Of The Damned
3 – Warriors
4 – Nebular Ravens Winter
5 – Solarfall
6 – Fenrir Hunts
7 – Tyrants
8 – Winterbane
9 – One by One
10 – Count The Dead
11 – All Shall Fall

Resenha e cobertura do evento: Fernando R.R. Júnior – Rock On Stage.

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