RESENHA: AMON AMARTH [24/05/2017 – BAR DA MONTANHA – LIMEIRA/SP]

Tão logo que o Abbath encerrou sua apresentação, as equipes da Liberation Music Company e da Circle Of Infinity se empenharam para que a troca de palco para o Amon Amarth fosse efetuada de forma rápida, afinal, no dia seguinte todos os presentes tinham que trabalhar logo de manhã e eles foram velozes, tanto que praticamente deu tempo apenas para conversar com os amigos um pouco, olhar rapidamente os cd´s disponíveis para venda e/ou tomar uma cerveja.

Desta maneira, eis que por volta das 22hs, a festa Viking do Amon Amarth estava prestes para começar com a plateia já sentindo um grande frenesi à maneira que cada um dos músicos entrava no palco do Bar da Montanha. A banda da cidade de Tumba, que teve sua formação no ano de 1992, inicialmente pendendo mais para o Death Metal Melódico e atualmente imersa no Viking Metal, que resultaram nestes 25 anos de existência em dez álbuns de estúdio, sendo o último, o citado Jomsviking, o motivo desta turnê.

E durante a introdução, que produziu um clima de batalha no ar, os reis do Viking Metal foram entrando um a um, sendo o primeiro baterista Jocke Wallgren, depois o trio de cordas Ted Lundström no baixo, Johan Söderberg e Olavi Mikkonen nas guitarras e por fim, o mais aguardado, o vocalista Johan Hegg com cabelos e barbas longas, enfim, um Viking perfeito. E devidamente posicionados no palco, o Amon Amarth começa a conquista do Bar da Montanha com The Pursuit Of Vikings ( do Fate Of Norns de 2004 ) com a galera vibrando a cada nota no ritmo cadenciado exibido pelos guitarristas, que era amplificado pelo gigante vocalista, que se movimentava passando toda sua energia para a plateia, que correspondia a cada solicitação feita por ele.

Com o público já em êxtase, os suecos provaram que são rápidos no desembarque em um novo território e em cativar com facilidade cada um de nós, e com riffs ferozes, As Loke Falls do aclamado Deceiver Of The Gods de 2013 marca a segunda do set list com o Amon Amarth deixando claro que veio para ‘saquearem’ nossa atenção e cravar suas espadas sonoras em nossas mentes, sendo que nos pontos onde sentimos as linhas melódicas dominarem a casa, uma sucessão de “hey… hey…” e palmas aparecem para acompanharem ao ritmo da música.

Festa Viking

Aos encorpados gritos de “Amon… Amon…”, o grandalhão Johan Hegg exclama: “Boa noite Limeira!!!” em um bom português, para logo depois complementar: “bem vindos à nossa festa Viking” e todo atencioso perguntou ( em inglês ): “como vocês estão? Sentindo-se bem?” e desta forma First Kill do novo Jomsviking veio como um trem sem freios aniquilando com tudo que estava em sua frente e para onde se olhava, podia-se notar que muitos dos fãs ‘bangueavam’ enquanto que outros socavam o ar e muitos cantavam o refrão com a banda e lógico, quando os momentos em que os “ôôôôôô” chegam, a intensidade da participação era ampliada. Os guitarristas Johan Söderberg e Olavi Mikkonen, que também não paravam quietos, enviam suas melodias de guitarras mais Heavy Metal de uma forma para aprisionar nossa emoção junto a sintonia da banda no palco.

Sem delongas e ainda no Jomsviking tivemos a cadenciada, ‘pesadaça’ e porque não dizer melódica The Way Of Vikings com um clima propício a lutar sem piedade, pois, seu andamento traduz isso, uma luta sangrenta, que fez a grande maioria cantar seus versos com o Amon Amarth, onde mais uma vez chamo a atenção para a força dos headbangers do interior do estado, que interagem consideravelmente com a banda.

Com o Amon Amarth é pancada em cima de pancada e At Dawn’s First Light, a terceira na sequencia do novo álbum, deixa explicado porque Jomsviking tem sido tão bem aceito por todos, pois, a música te afeta instantaneamente, e ao vivo então, aí temos que somar a atuação insana do Amon Amarth neste primeiro show da turnê brasileira, onde quero destacar o vocalista mexendo seus braços, sacudindo seus longos cabelos e virando o microfone para a plateia, os guitarristas disparando solos vigorosos e o baterista Jocke Wallgren fazendo questão de não deixar nenhum de seus 13 pratos ( !!! ) sem levarem toques de suas baquetas, com direito a um solo para enaltecer ainda mais sua capacidade, que depois de terminá-lo reparamos os demais membros retomarem a música e seu estilo destrutivo até o seu final. Enfim, é para deixar registrado na memória ou nos celulares este que já posso apontar como um dos melhores momentos do show.

Para prestar um tributo aos deuses nórdicos, Johan Hegg soca o ar e com os fãs cantando alguns trechos, Cry Of The Black Birds do With Oden On Side de 2006 segue voraz e veloz até que seu estilo de hino conclame aos fãs para participarem nos “ôôôôôô”, inclusive, com o quarteto mais à frente ‘bangueando’ nos momentos dos “hey… hey…” e mais uma vez, que sensacionais foram seus riffs de guitarras.

Com um agradecimento em português “Obrigado, muito obrigado!!!” Johan Hegg anuncia a cadenciada Deceiver Of The Gods, título do penúltimo registro de estúdio do Amon Amarth e esta praticamente mais sombria canção novamente nos faz socar o ar e escolher entre aplaudir e berrar alguns “hey…hey…” com o obstinado vocalista ou ainda sacudir o pescoço no ritmo destruidor vindo das guitarras, baixo e bateria.

Felizes, os fãs gritam “Amon…Amon…”, o vocalista novamente nos agradece com um novo “Obrigado” e pergunta se queremos mais, e óbvio que a resposta foi positiva, e assim, o Death Metal da soturna Tattered Banners And Bloody Flags gravada no Twilight Of The Thunder God de 2008 eclode pelo Bar da Montanha elevando o nível da violência sonora trazida por estes guerreiros do norte, que soaram tais como um relógio por tanta técnica que é mostrada a cada momento sendo seguida por Destroyer Of The Universe do Sutur Rising, que traduz uma canção simplesmente acelerada e mortífera para ‘banguear’ e até abrir roda, que pelo tanto de pessoas presentes, acredito que não tenha sido possível abrir uma.

Em uma nova conversa com os fãs, o carismático Johan Hegg recua até o ano de 2002, quando o álbum Versus The World foi lançado com a cadenciada Death In Fire prosseguindo o set de forma tão avassaladora quanto antes, para confirmar bastava olhar para o vocalista que não cansava de girar seu pescoço nos momentos dos solos de guitarras.

E com os fãs mais contentes ainda, tivemos Father Of The Wolf do Deceiver Of The Gods com uma implacável velocidade instrumental e urros cada vez mais poderosos dos vocais de Johan Hegg, que não deixa por menos o calor recebido dos fãs e continua o show com Runes To My Memory, outra do With Oden On Our Side, que também dilacerou nossa adrenalina no show, afinal, seus solos de guitarras aliados aos vocais urrados serviram para fortalecerem nossa euforia e mais uma vez provocarem uma nossa sucessão de ‘hey… hey…’.

Muito aguardada, a veloz War Of The Gods do Surtur Rising ganhou palmas, “ôôôôôôô” durantes seus solos de guitarras e olhares radiantes dos fãs, que sentiram que o poder de fogo das espadas dos guerreiros do Amon Amarth era realmente fabuloso, onde mais uma vez me rendo ao brilho e a habilidade de Johan Söderberg e Olavi Mikkonen durante os solos de guitarras.

Subjugados pelos conquistadores e uma surpresa…

Tão empolgado quanto nós, o vocalista fala um “Obrigado” e deixa claro que a energia que está sendo emanada da plateia o atinge no palco e conversa um pouco com os fãs para por fim apresentar a cadenciada Raise Your Horns, a última desta noite do Jomsviking, onde deu para perceber mais especificamente como o baixista Ted Lundström atacava as cordas de seu baixo ( fato que ele fez o show inteiro, mas, por conta do tamanho da potência que o Amon Amarth possui em suas músicas, quase que passa desapercebido… quase!!! ).

Nesta, as suas linhas mais épicas levaram todos no Bar da Montanha a participarem nos “ôôôôôô”, que ficaram com um dinamismo realmente marcante. A última antes do bis é a Guardians Of Asgaard do Twilight Of The Thunder God com um frenético andamento para levar todos a erguerem as mãos e agitarem ao comando dos reis do Viking Metal, que sabem alternar linhas pesadas mais extremas com outras mais melodiosas.

Foi mais ou menos nesta hora que os atenciosos integrantes do Abbath estiveram assistindo uma parte do show do Amon Amarth e tirando fotos com os fãs que pediam, e claro, que também tirei uma com o guitarrista Ole André Farstad e o lendário baixista King ov Hell, sendo que este último praticamente encobriu meu rosto ( e o dele ) com sua mão em uma pose bastante sinistra ( e obrigado Vanilda da foto ), que acabou tornando a foto em algo mais conceitual. São momentos assim que somente lugares como o Bar da Montanha proporcionam aos fãs tornado a experiência de se curtir um show por lá ainda mais especial.

Final apocalíptico

O grau de alegria dos fãs pode ser medido pelos gritos de “Amon… Amon…” antes do retorno para o bis, que começou ao som de trovões, um prenúncio que a canção que intitula o álbum de 2008, a Twilight Of The Thunder God seria a derradeira do show do Amon Amarth, sendo que notadamente os fãs também a esperavam bastante pela eletricidade que destinaram durante sua execução cantando sua letra praticamente inteira com Johan Hegg e sentindo-se mais exaltados com seus riffs mais próximos a um Heavy Metal.

Certamente, que tão inesquecível quanto foi para nós… foi também para o Amon Amarth este primeiro contato com o público presente no Bar da Montanha, pois, mais uma vez os espaços estiveram tomados em sua totalidade. Aplaudidos, eles respondem cumprimentando os fãs, jogando palhetas e baquetas e dando aquele toque nas mãos dos que estavam mais à frente.

Espólios…

Findada a batalha, que durou por volta de uma hora e meia, Limeira agora também consta entre as cidades sul-americanas dominadas pelo Amon Amarth – que junto ao Abbath – realizaram um dos mais impiedosos e intensos shows no Bar da Montanha, porém, ambos não saíram totalmente ilesos da contenda, pois, apesar de não refletirem em nenhum momento o gelo de suas terras, naturalmente foram influenciados pelo calor dos ‘povos do interior’ de São Paulo e sul de Minas Gerais. Nesta quente noite de quarta feira todos nós saímos vencedores e satisfeitos com os shows que assistimos.

Nestes anos todos que faço coberturas de shows no Rock On Stage, ainda não havia assistido a nenhuma banda voltada ao Black Metal e ao Viking Metal por falta de oportunidade, claro que repórteres do site ao longo dos anos já cobriram vários eventos assim, mas, eu até então somente havia escrito resenhas de cd´s e DVD´s de vários grandes nomes destes estilos e coberto alguns shows de algumas bandas brasileiras, entretanto, finalmente presenciei dois grandes nomes internacionais e que são parte da história. Obrigado Liberation Music Company e Circle Of Infinity Produções por esta importante oportunidade na minha vida.

Set list show do Amon Amarth

1 – The Pursuit Of Vikings
2 – As Loke Falls
3 – First Kill
4 – The Way Of Vikings
5 – At Dawn’s First Light
6 – Cry Of The Black Birds
7 – Deceiver Of the Gods
8 – Tattered Banners And Bloody Flags
9 – Destroyer Of The Universe
10 – Death in Fire
11 – Father Of The Wolf
12 – Runes To My Memory
13 – War Of The Gods
14 – Raise Your Horns
15 – Guardians Of Asgaard

Bis:
16 – Twilight Of The Thunder God

Resenha e cobertura do evento: Fernando R.R. Júnior – Rock On Stage.

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